Sombra (1976)

N/C

65 min

Experimental   Videoarte  

Realização:  ·  Julião Sarmento

O filme inicia-se com um plano aproximado de dois corpos, percebe-se um pescoço e parte de um ombro, sobre o qual lentamente vão incidindo diferentes intensidades de luz, que criam zonas complemente escuras ou luminosas. Na segunda parte um plano fixo de duas mulheres nuas reclinadas sobre o braço direito, em primeiro plano uma mulher de cabelo escuro, e olhos fechados, da qual se vê apenas parte do rosto e do ombro; em segundo plano uma mulher de cabelo louro, da qual se vê quase todo o corpo, olha fixamente para a câmara. O mesmo exercício de diferentes incidências de luz projectada é continuado, e obscurece por vezes partes do corpo, chegando a obscurecer por completo a mulher loura, e depois a morena. Numa terceira parte, as mesmas mulheres nas mesma posição, da que está em primeiro plano, apenas uma perna, da que está em segundo a púbis e pernas, continuando o exercício de sombra, até obscurecer toda a imagem. Na quarta e última parte, as mulheres aparecem sentadas, do lado esquerdo do ecrã, sendo filmado o tronco e parte do rosto, são novamente testadas sobre os corpos diferentes incidências de luz. Este filme tem várias semelhanças formais com outros dois filmes Faces e Cópias, também de 1976. Este filme faz parte da filmografia mais conhecida e icónica do artista realizada durante a década de 70. Os filmes que realizou com Helena Vasconcelos estão intimamente relacionados com a obra em fotografia desenvolvida desde 1973, particularmente nas várias séries fotográficas não intituladas que parecem stills de filmes e catalogações em torno da exploração da sexualidade e do comportamento animal.
[Fonte: Andreia Magalhães, Jul. 2015]
"Em Sombra, o foco é o tempo. O movimento da imagem é muito lento e apercebemo-nos da existência desse movimento através da sombra que esconde os corpos. A câmara fixa-se sobre as duas mulheres nuas num longo plano-sequência. Ao longo do filme, acompanhamos quatro diferentes posições dos dois nus femininos. Numa primeira fase, partem da escuridão para a luz e depois sucede-se o inverso, a escuridão vai ocupando, muito lentamente, o que está iluminado. No final, a sombra cobre totalmente o ecrã, transformando-o numa mancha negra. Os corpos estão presentes, mas não atuam, acabam por desaparecer e a sombra por vingar.
Com este filme, duas alterações significativas na produção artística afiguram-se. A câmara torna-se estática, recusando o movimento associado à diegese cinematográfica, e a imagem das mulheres nuas é apresentada desprovida de simbolismo, em corpos banais, num tempo mudo e numa ação congelada.
A ausência de uma linha narrativa, de clímax ou montagem valida a ideia que vigora neste filme: o espaço da pintura invade o tempo do cinema. Assim, a típica separação do cinema como arte do tempo e da pintura como arte do espaço aqui deixa de fazer sentido, colocando Julião Sarmento no encalço do filme experimental, movimento que criou um novo mundo dentro do próprio cinema, com nomes internacionalmente conhecidos como Andy Warhol, Jonas Mekas ou Stan Brakhage."
[Fonte: Patrícia Rosas - Museu Gulbenkian]

Mais informações: Website externo

Equipa

Imagens [#2]:
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Dados Técnicos:
Cor | sem som | Super 8 |

  • 201709111039_cinept_licenciatura_em_cinema_260_260
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